Corrupção, ética e transformação social (Moisés Moreira)


 

     Em toda História do Brasil, talvez nunca tenhamos visto um momento em que a corrupção tenha sido tão balizada pelos meios de comunicação, e tão discutida por grande parte da população. Basta pararmos em qualquer lugar (mesmo que seja um ônibus, por exemplo), que volta e meia, sempre há alguém que esteja falando sobre a crise na saúde, crise na educação e, inclusive, na crise ética da política brasileira.


     Contudo, é preciso notar também que, muitas vezes, nós mesmos, enquanto cidadãos raramente nós nos decidimos fazer alguma coisa pela realidade – isto, quando fazemos algo. Certo comodismo nos toma de assalto, e reveste todo a nossa fala de uma moral vazia, estéril, que se reduz à crítica, mas que não busca alterar a realidade. Afinal de contas, em época de eleições, como a que estamos prestes a vivenciar, nós notamos nas propagandas políticas dos partidos a presença sempre dos mesmos políticos, e das mesmas propostas políticas; das mesmas propostas que foram prometidas nas eleições anteriores, e que jamais foram executadas. Logicamente há as exceções de certos governantes que fazem por onde efetivar suas promessas, mas estes, infelizmente, continuam sendo uma minoria em todo o Brasil.

     Ainda sobre este nosso comodismo, é interessante perceber também, o quão contraditório consiste ser a dissonância entre o que nós criticamos em nossos políticos, e as ações que nós reproduzimos em nosso cotidiano. Dentro da própria corrupção que nós percebemos na administração pública nacional, do emprego do chamado jeitinho brasileiro, onde o peso de um sobrenome ou, onde o peso da influência do nosso status social consiste ser um dos elementos determinantes para a obtenção de determinados fins. É, nesse sentido, que podemos apontar aqui, um grave problema social brasileiro, que é uma das principais bases para se buscar o fim da corrupção política no Brasil: a existência de uma ética baseada em uma falta de ética. Porém, como poderemos superar este problema?

     Com certeza, a Educação pode ser a saída ideal para tal problema. Mas, tem de ser uma Educação que seja volta para desenvolver nas crianças, nos jovens e, até mesmo nos próprios universitários – independente de frequentarem instituições públicas ou privadas -, uma preocupação para com o bem público, isto é, a sociedade. Superar uma concepção utilitarista que afirma que toda sociedade humana não passa de um somatório de indivíduos e seus interesses pessoais – que tão bem se acomoda ao jeitinho brasileiro, será o primeiro passo para se desenvolver uma sociedade mais justa; uma sociedade onde a preocupação com o público, com o coletivo, será a forma ideal para se buscar a felicidade individual, que tanto preocupa certos conservadores.

     Para tanto, sabemos que é preciso não uma “Educação Política”, mas sim, uma Educação politizada. Uma Educação que reconheça que a solução para a corrupção centra-se em conceber a política não apenas como um instrumento para se alcançar um determinado fim, uma mera razão instrumental. Isto porque, a própria política, a partir do momento em que buscar ser, de fato, um meio para se alcançar o bem de todos – como, o que se propõe o nosso modelo democrático -, nós teremos então, uma ética que conceberá no comodismo e no jeitinho brasileiro, as raízes de nosso analfabetismo político, que será substituído a partir de uma cultura cívica.
Moisés Simões Moreira

O artigo é, por ora, disponibilizado no intuito de enriquecer e majorar as cognições e materiais para o debate público a respeito da corrupção. A transcrição do mesmo não implica responsabilidade por parte de nosso movimento, tampouco adesão parcial ou integral às ideologias e propostas, pessoas ou pontuais, aventadas pelo autor. 

Um comentário:

  1. Em minha opinião pessoal, somos administrados especialmente na esfera federal por uma gang , ou quadrilha que com algumas baixas vem ora cedendo s alguns oportunistas, ora se revesando no poder ou ainda trazendo alguém produzido por eles , mas sempre sugando tudo o que podem dos trabalhadores, pequenos e médios empresários, basta ums rápida avaliação nos preços internacionais dos alimentos e bens de consumo. Até quando nossa sociedade vai conviver com o abuso dos governos em nosso país, tirando possibilidades da parcela mediana e pobre da sociedade Brasileira de viver em melhores condições ? É preciso que todos sr acordem para a triste realidade brasileira onde políticos, governos e parcela do funcionalismo público se apropriam do resultado da cobrança vergonhosa de impostos de quem realmente produz s riqueza deste país para levar uma vida nababesca . É uma tristeza muito grande assistir a tudo isto realizado em nome da lei impunemente.

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